Eucaristia presidida pelo Pe Vitor Hidallgo, ocd

[Aniversários]

Eucaristia dominical comemorativa dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus

Um momento de beleza, de eternidade...
No dia 19 de Outubro, em união com toda a família carmelita, celebrámos a Eucaristia dominical de abertura das celebrações comemorativas dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus. Foi presidida pelo Sr Padre Vitor Hidalgo, OCD e acompanhado no altar pelos Srs Padre Dariusz e Padre Donald e por alguns acólitos da nossa paróquia. 
O coro da nossa Comunidade teve também a graça de ser acompanhado por músicos nossos amigos - o Sr Professor Rui, o Paulo e a Marta – que com o órgão, o violino e as flautas, enriqueceram com grande beleza a vivência espiritual desta Solenidade.

A Assembleia dos fiéis, amigos e benfeitores, que quiseram celebrar connosco, sentiu e viveu este momento de Céu na Terra com grande intensidade.
A todos, o nosso muito obrigada! Em grande comunhão, experimentámos todos a riqueza da Palavra, o sabor d' Aquela Eterna Fonte que mana e corre, a interiorização dos cânticos, a fecundidade do silêncio … a beleza de estarmos unidos pela real Presença de Cristo que no Espírito Santo nos leva a Deus Pai.  
Bendito seja Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo!
Com a promessa da nossa oração, partilhamos a linda homilia que o Sr Pe Vitor nos presenteou, para podermos continuar a contemplar o dom que nos é dado por Deus em Santa Teresa de Jesus:

Homilia do Pr Vitor Hidalgo, OCD (19 de Outubro de 2014)
Comecemos por nos perguntarmos quem é esta santa que nasceu há quinhentos anos numa pequena cidade desconhecida então, de Espanha?
Santa Teresa de Jesus, nasceu em Ávila no dia 28 de Março de 1515. Ainda jovem,  cedo enveredou pela vida de clausura, tendo fundado vários conventos e reformado a Ordem dos Carmelitas. Mulher culta com gosto pela escrita e bem diferente das mulheres do século XVI. Morreu o 15 de Outubro de 1582, oferecendo a sua vida pela Igreja. Foi proclamada doutora da Igreja em 1970.
Ao celebrar os santos, a Igreja quer celebrar, antes de mais a santidade de Deus que resplandece encarnada em pessoas de carne e osso, porque a santidade em abstrato não existe. Há tantos tipos de santos e tantos tipos de santidade quantas as situações e necessidades humanas. O Espírito do Senhor sopra onde quer, e Deus está aí, onde um homem ou uma mulher Lhe respondem incondicionalmente.
Pois bem, Santa Teresa de Jesus, foi uma dessas mulheres que responderam incondicionalmente a Deus, “com uma determinada determinação”, frase muito sua na qual quis realçar uma atitude decidida e absoluta de entrega a Deus. “Determinar-se” é começar (sempre que for preciso) uma nova vida; “determinada determinação” ‘’é encurtar as distâncias e fazer de tudo para não voltar atrás no nosso compromisso cristão; é, em resumo, fazer uma “opção fundamental” por Cristo.
A palavra de Deus que ouvimos, é um convite a abrirmo-nos à graça de Deus através do testemunho e a doutrina de santa Teresa. Mas, de onde tirou Santa Teresa o tesouro da sua doutrina?  -O Papa Paulo VI, o dia da proclamação de  SANTA TERESA  COMO DOUTORA DA IGREJA, dizia na sua homilia:  “Sem dúvida (s. Teresa tirou a sua doutrina), da sua inteligência e da sua formação cultural e espiritual, das suas leituras, dos colóquios com os grandes mestres de teologia e de espiritualidade, da sua singular sensibilidade, da sua meditação contemplativa, numa palavra, da sua correspondência à graça, que ela recebia na sua alma extraordinariamente rica e preparada para a prática e a experiência da oração. 
Mas, era esta a única fonte da sua «doutrina eminente» para a atribuir a uma acção extraordinária do Espírito Santo? Claro que não!. Encontramo-nos, indubitavelmente, diante de uma alma, na qual a iniciativa divina extraordinária se manifesta; encontramo-nos diante de uma mulher dócil ao Espírito Santo”. Por isso, santa Teresa pode apropriar-se as palavras de Cristo, que ouvimos no Evangelho: “A minha doutrina não me pertence, é d’Aquele que me enviou”  e ainda pode ela fazer suas as palavras do livro da Sabedoria que ouvimos na primeira leitura: “Implorei e veio a mim o espírito de sabedoria…Aprendi-a com lealdade e reparto-a sem inveja, e não escondo as suas riquezas”.
E prova de que santa Teresa não esconde as riquezas que recebeu do Espírito Santo, são os seus escritos, fruto da sua idade madura,  que coincide também com a época da sua actividade como fundadora de conventos. Entre as suas principais obras deve-se recordar sobretudo a autobiografia, intitulada Livro da vida, o Caminho de Perfeição,  e a obra mística mais famosa de santa Teresa, é o Castelo interior, escrito em 1577, em plena maturidade. À sua obra de fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o Livro das fundações, escrito de 1573 a 1582, em que fala da vida das primeiras carmelitas. 
Santa Teresa de Jesus é uma autêntica mestra de vida evangélica e espiritual para todos os cristãos. No nosso mundo contemporâneo, que muitas vezes carece  de valores humanos e espirituais, numa cultura do provisório, num mundo que vive muitas vezes sem esperança e numa sociedade com tantos ídolos, santa Teresa ensina-nos como podemos ser testemunhas e «amigos fortes de Deus»; ensina-nos também como saciar a sede de Deus que muitas vezes existe na profundidade do nosso coração e por isso convida  cada cristão a ser  testemunha de que «só Deus basta»
Também, Santa Teresa propõe ainda as virtudes evangélicas como base de toda a nossa vida cristã e humana: em especial sugere  o desapego dos bens, ou seja, a  pobreza evangélica, e isto diz respeito a todos nós, porque todos experimentamos de uma e outra maneira, os nossos limites, as nossas incoerências, os nossos defeitos e falhas; em uma palavra e como diz são Paulo: «fazemos o mal que não queremos e deixamos de fazer o bem que queremos» E aqui santa Teresa propõe-nos a humildade, entendida esta como amor à verdade, ou seja, aceitar a verdade de nós mesmos e reconhecer com simplicidade os nossos limites, para podermos aceitar a verdade de Deus, que é mais forte que os nossos erros. Mas, ao mesmo tempo, Santa Teresa propõe-nos o amor mútuo como elemento básico para adquirir a harmonia na vida comunitária e social; além disso, a santa convida-nos a ser audazes na nossa opção por Cristo, comprometendo-nos com uma «determinada determinação», diz ela, no nosso esforço para chegarmos a nossa meta que é Cristo. Tudo isto acrescenta Santa Teresa sem esquecer as virtudes humanas que devemos praticar no dia a dia nas nossas relações com os outros, isto é,  a cortesia, a amabilidade, a modéstia,  a veracidade,  a alegria etc.
Outro aspecto essencial da doutrina de santa Teresa, que não podemos deixar de mencionar, é o tema da oração; pois, precisamente ela é considerada, na Igreja e não só, mestra da vida espiritual, e por conseguinte, mestra de oração. Orar, diz ela,  «significa tratar de amizade  face a face com Aquele que sabemos que nos ama». Para Teresa, rezar não é uma forma de fugir, também não é evadir-se nem isolar-se, porque o caminho da oração transcorre na vida da fraternidade no seio da Igreja. 
“Santa Teresa de Jesus –diz o Papa Francisco- foi mestra de oração e ao mesmo tempo fundadora e missionária pelos caminhos da Espanha. A sua experiência mística não a separou do mundo nem das preocupações das pessoas; pelo contrário, deu-lhe novo impulso e coragem para a ação e para os deveres de cada dia”.
Que o exemplo de santa Teresa, nos leve também a nós a dedicar cada dia o justo tempo à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho para procurarmos Deus, para O vermos, para encontrarmos a sua amizade e assim  possuirmos a vida verdadeira. Por isso, o tempo da oração não é perdido, é tempo em que se abre o caminho da vida, para aprender de Deus um amor ardente a Ele, à sua Igreja, e uma caridade concreta para com os nossos irmãos.
Cinco séculos depois, Santa Teresa de Ávila continua a deixar-nos o exemplo da sua missão espiritual, da nobreza do seu coração, do seu amor, despojado de todo o afecto terreno para dar-se totalmente à Igreja. Antes do seu último suspiro, ela pôde dizer, como epílogo de toda a sua vida: «Finalmente sou filha da Igreja!».
Queremos ver, nesta expressão, um convite a todos nós, para fazermos eco à sua voz e para a transformarmos em programa de vida a fim de podermos repetir com ela: somos filhos da Igreja.
Que Santa Teresa interceda por todos nós para que alcancemos a perfeição, mediante o caminho da verdade, da humildade e do amor. 
[Homilia e foto gentilmente cedidas pelo Pe Vitor OCD e por Samuel Mendonça, Folha do Domingo, respectivamente]

 

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