Esperança minha ...

[Almas enamoradas por Deus]

  • 2016-09-14

"Esperança minha e meu Pai e meu Criador e meu verdadeiro Senhor e Irmão! Quando considero em como dizeis que vossas delícias são com os filhos dos homens, muito se alegra minha alma. Ó Senhor do Céu e da terra! Que palavras estas para não desconfiar nenhum pecador! Oh! Que grandíssima misericórdia e favor sem que o possamos merecer! E que tudo isto olvidemos, nós os mortais! Lembrai-Vos, Deus meu, de tanta miséria e vede a nossa fraqueza, pois de tudo sois sabedor.

Alegra-te, alma minha, que há Quem ame a Deus como ele merece. Alegra-te, que há quem conheça Sua bondade e valor. Dá-lhe graças, porque nos deu na terra Quem assim O conhece, como Seu Filho único que é. Sob este amparo poderás achegar-te a Ele e apresentar-Lhe as tuas súplicas. E pois que sua Majestade se deleita contigo, que todas as coisas da terra não sejam bastantes para te apartar de te deleitares e alegrares na grandeza do teu Deus e em como merece ser amado e louvado; e te ajude para que tenhas alguma partezita em ser bendito o Seu Nome e possas dizer com verdade: «A minha alma engrandece e louva ao Senhor».

Exclamação VII, Santa Teresa de Jesus

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Meu Amado é para mim...

[Almas enamoradas por Deus]

  • 2016-06-03

Ó verdadeiro Deus e Senhor meu! Grande consolo é para a alma, a quem aflige a soledade de estar ausente de Vós, ver que estais em toda a parte. Mas, quando cresce a intensidade do amor e os grandes ímpetos desta pena, de que aproveita, Deus meu? Pois que turva o entendimento e se esconde a razão para conhecer esta verdade, de maneira que nem se pode entender nem conhecer. Somente conhece que está apartada de Vós e nenhum remédio admite. Porque, o coração que muito ama, não admite conselho nem consolo, senão daquele que o chagou; porque dali espera que lhe há-de ser remediada a sua pena. Quando vós quereis, Senhor, depressa sarais a ferida que fizestes; antes, não há que esperar saúde nem gozo, senão o que se tira de padecer tão bem empregado.
Ó verdadeiro amador! Com quanta piedade, com quanta suavidade, com quanto deleite, com quanto regalo e com quantas e grandíssimas mostras de amor curais estas chagas, que tendes feito com as setas do mesmo amor! Ó Deus meu e descanso de todas as penas! Que desatinada que estou! Como poderia haver meios humanos que curassem os que o fogo divino enfermou? Quem há-de saber até onde chega esta ferida, nem do que procedeu, nem como se pode aplanar tão penoso e deleitoso tormento? Sem razão seria que tão precioso mal se pudesse aplacar com coisa como são os meios que podem tomar os mortais. Com quanta razão diz a Esposa no «Cântico»: «Meu amado é para mim, e eu para meu amado, e meu Amado para mim»;porque, semelhante amor, não é possível começar de coisa tão baixa como o meu.

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